SURDOCEGUEIRA
A criança surdocega não é uma
criança surda que não pode ver e nem um cego que não pode ouvir. Não se trata
de simples somatória de surdez e cegueira, nem é só um problema de comunicação
e percepção, ainda que englobe todos esses fatores e alguns mais (McInnes &
Treffy, 1991). Segundo Telford & Sawrey (1976), quando a visão e audição
estão gravemente comprometidas, os problemas relacionados à aprendizagem dos
comportamentos socialmente aceitos e a adaptação ao meio se multiplicam. A
falta dessas percepções limita a criança surdocega na antecipação do que vai
ocorrer a sua volta. A entrada da mãe no quarto do bebê, por exemplo, pode não
significar tranqüilidade, comida ou carinho, mas pode promover instabilidade e
insegurança. Sua dificuldade na antecipação dos fatos faz com que cada experiência
possa parecer nova e assustadora, como ser transportada de um lugar para o outro,
sentir na boca a introdução de um alimento novo ou ser tocado repentinamente.
Ainda como resultado da privação da visão e audição, sua motivação na
exploração do ambiente é
proporcionalmente diminuída.
Seu mundo se limita ao que por casualidade está ao alcance de sua mão e,
sobretudo, a si mesmo. Essas crianças precisam ser encorajadas a desenvolver um
estilo de aprendizagem próprio para compensar suas dificuldades visuais e
auditivas e para estabelecer e manter relações interpessoais. Portanto, as
trocas interativas das crianças precisam estar orientadas para o
desenvolvimento dos sentidos remanescentes, entre eles, cutâneo, cinestésico
(corporal - articulações e músculos; e, sensorial - visceral), gustativo e
olfativo, como forma de acesso à informação na ausência dos sentidos da visão e
audição. (MEC, SEESP-2010)
O fato de as crianças
surdocegas apresentarem, freqüentemente, comportamentos como: 1) dificuldades
em elaborar a consciência da relação dos segmentos corporais em si e destes com
objetos (fase comum a todas as crianças); 2) limitações para o movimento e funcionamento
do próprio corpo; 3) insegurança pessoal; e, 4) atraso no desenvolvimento motor
e afetivo, pode ser atribuído à qualidade e quantidade das interações mantidas
com o ambiente.
MÚLTIPLA
DEFICIÊNCIA SENSORIAL
Considera-se uma criança com
múltipla deficiência sensorial aquela que apresenta deficiência visual e
auditiva associadas a outras condições de comportamento e comprometimentos,
sejam eles na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de aprendizagem.
Quase sempre, os canais de visão e audição não são os únicos afetados, mas também
outros sistemas, como os sistemas tátil (toque), vestibular (equilíbrio),
proprioceptivo (posição corporal), olfativo (aromas e odores) ou gustativo
(sabor). Limitações em uma dessas
áreas podem ter um efeito
singular no funcionamento, aprendizagem e desenvolvimento da criança
(Perreault, 2002).
Crianças que apresentam graves
comprometimentos múltiplos e condições médicas frágeis:
1. apresentam mais dificuldades
no entendimento das rotinas diárias, gestos ou outras habilidades de
comunicação;
2. demonstram dificuldades
acentuadas no reconhecimento das pessoas significativas no seu ambiente;
3. realizam movimentos
corporais sem propósito;
4. apresentam resposta mínima a
barulho, movimento, toque, odores e/ou outros estímulos. Muitas dessas crianças
têm dificuldade na obtenção e manutenção do estado de alerta. Isso é crítico
porque a prontidão é o estado comportamental em que as crianças estão mais receptivas
à estimulação, aprendem melhor e são capazes de responder de uma maneira socialmente
aceita. Crianças com múltipla deficiência sensorial têm uma variedade de
necessidades especiais que se
assemelham às necessidades da criança surdocega. Nesse sentido, toda a
abordagem descrita neste documento aplica-se também à criança com múltipla deficiência
sensorial.
Considera-se surdocego a pessoa que apresenta estas duas limitações, Independente
do grau das perdas auditiva e visual. A surdocegueira pode ser congênita ou
adquirida e não é deficiência múltipla. Segundo Mclnnes (1999) citado no
fascículo 05 da coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar,
as pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias:
1- Aquelas que eram cegas e se
tornaram surdas;
2- As que eram surdas e se tornaram
cegas;
3- Aquelas que se tornaram
surdocegos;
4- Aquelas que nasceram ou
adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram oportunidade de
desenvolver linguagem.
São utilizados vários recursos na comunicação para a surdocegueira e/ou para a DMU, entre os quais:
gestos, símbolos tangíveis; leitura tátil das vibrações produzidas durante a
emissão verbal (Tadoma); sistema Braille; alfabeto datilológico; objetos de
referências para atividades e situações da vida diária e aprendizagem;
calendários de antecipação / comunicação / tempo / apoio emocional; escrita
ampliada; recursos da comunicação alternativa e aumentativa; sistemas
pictográfico de comunicação. Qualquer uma das deficiências requer estratégias planejadas
sistemáticas, em um ambiente reativo de respostas as iniciativas de comunicação
pré-simbólica ou simbólica desses indivíduos, desenvolvendo as atividades
dentro de um contexto de aprendizagem construtivo – ecológico - responsivo para
o estabelecimento de uma comunicação.
REFERÊNCIAS
BOSCO, Ismênia C.M.G; MESQUITA,
Sandra R.S.H; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência
Múltipla.
BRASIL. Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla.
Brasília: MEC/SEESP/UFC, 2010.
Olá Carla!
ResponderExcluirMuito legal o seu texto. Já no parágrafo inicial você nos convida a querer saber mais sobre o tema quando diz: "A criança surdocega não é uma criança surda que não pode ver e nem um cego que não pode ouvir".
Abraços!